O que vou ser quando crescer?

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

"Vida de vestibulando não é fácil".

Nós, alunos do ensino médio e até alguns do fundamental, ouvimos isso durante toda a nossa trajetória dentro da escola. Ouvimos dos professores, dos amigos mais velhos, dos pais, dos tios, dos avós, da vizinha, da velhinha que estava na fila do supermercado... literalmente, o mundo inteiro faz questão de lhe lembrar o quanto você vai sofrer daqui a um ano ou dois.

Então o terceiro ano chega. E, de fato, não é nada fácil. Vou pular a etapa de que se tem que estudar absurdamente, da pressão imposta pelos pais e do peso que uma única prova (no caso do ENEM) irá definir o futuro inteiro. 

Ainda somos forçados a decidir aquilo que  iremos exercer profissionalmente pelo resto de nossas vidas, mesmo se não fizermos a menor ideia do que isso seja. 

Eu vou ser sincera, estou escrevendo esse texto porque nos últimos dois meses venho sentindo uma desanimação imensa relacionado à tudo isso. Então eu espero que ajudando outras pessoas a refletirem sobre esse assunto, também me ajude a recuperar a vontade que eu tinha nos primeiros seis meses de aula.

Quando eu era criança eu tive fases. Tive a fase da veterinária, a fase da cantora, a fase da escritora, a fase da atriz... E quando estamos na infância tudo parece mais fácil né? Quando aquela perguntinha inofensiva aparece temos de pronto uma resposta que nos satisfaz e na qual acreditamos com unhas e dentes de que irá acontecer.

A medida que vamos crescendo a seriedade da pergunta vai aumentando e quando chega no terceiro ano esperam de nós uma resposta definitiva. 

Para acalmar alguns nervos direi isso: pior do que responder "não sei", é responder algo que não querem ouvir. É ser desencorajado, criticado e forçado a alterar essa resposta para outra que seja de bom agrado.

Isso tudo torna essa tarefa muito mais complicada do que ela já é, mas eu espero que possa ajudar com algumas coisas que notei a partir de conversas com os meus colegas e com pessoas que já passaram por isso.

Para quem não tem nenhuma ideia do que pretende seguir, eu acho válido entrar num processo de autoconhecimento. Parece coisa de livro de auto-ajuda, mas não é. Talvez fazer umas perguntinhas básicas para si mesmo o coloque no caminho certo. 

A carreira que eu quero tem que me dar dinheiro ou satisfação? Eu quero trabalhar ao ar livre ou em um lugar fechado? Com muita gente ou com pouca gente? 

Definir o tipo de trabalho que você vai ter, qualquer seja, ajuda a excluir ou acrescentar algumas coisas que antes você não tinha considerado.

Quais matérias dentro do colégio eu gosto? Quais que eu não gosto? Eu sou bom em alguma que eu não gosto? E quais matérias fora do colégio eu gosto (desenho, teatro, música...)? Eu tenho facilidade com línguas estrangeiras? Eu escrevo bem?

Tudo bem que as matérias ensinadas no colégio, talvez não cheguem nem perto do que você vai aprender na faculdade, mas é um bom começo. Uma pessoa que gosta de biologia, por exemplo, já sabe que poderia se sair bem no ramo da medicina. Alguém que é bom em matemática pode se dar bem em economia, etc...

Será que a carreira que os meus pais querem seria bom pra mim? Ou o emprego que os meus amigos querem ter? 

Inspirar-se na opinião das pessoas à sua volta também é um caminho para descobrir o que você quer. Se está tão na dúvida, pesquise sobre a carreira que seus pais insistem para você, caso seja algo que não seja do seu interesse converse com eles.  Pelo menos assim um item da lista é riscado. 

Se está tendo problemas tão grandes com o que escolheu, procure alguém com quem possa conversar. Pode ser um tio, ou um dos seus professores. Acredite, os professores são verdadeiras armas de guerra no ano do vestibular. 

Faça testes vocacionais ou procure um profissional que possa te guiar quanto à isso. Existem vários na internet que medem através da sua personalidade aquilo que combinaria mais com você. Além disso, as universidades oferecem esse acompanhamento de graça. Claro, nem tudo que for avaliado é definitivo. Se não concordar com o resultado pode ignorá-lo, mas é interessante manter suas opções abertas.

Procure profissionais das áreas escolhidas e tente acompanhar o dia a dia deles; Se não for possível, leia muito sobre a profissão. Compre livros, revistas, pesquise em sites, etc... Outra coisa que pode ajudar é visitar as universidades, falar com os alunos sobre os cursos e pegar o itinerário de aulas.

Preste atenção também no que você faz com o seu tempo livre, aonde você gasta suas energias: uma pessoa que gosta de cozinhar, pode tentar um curso de gastronomia. 

É bom lembrar também que qualquer decisão que você fizer não será definitiva. Se não estiver satisfeito com o que escolheu, sempre poderá trocar de curso. Pode ter certeza que pessoas mais velhas do que você, às vezes, resolvem mudar de carreira. É normal, afinal o que nos deixa feliz hoje, pode não causar o mesmo efeito amanhã.

Terceiro ano é difícil, é cansativo, é estressante, mas também pode lhe trazer novas experiências maravilhosas. Esse é o ano que o contato com o mundo profissional é muito mais fácil. Procure participar de novas experiências, nem tudo se aprende apenas estudando sentado em uma mesa o dia inteiro. 


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