Dia a Dia: Sobre Terminar o Colégio

sábado, 6 de dezembro de 2014

Chega um momento em sua vida em que você sempre pensa que nunca vai acontecer e ao mesmo tempo sabe que, eventualmente, de algum jeito ele irá se tornar realidade. Há exatos três anos eu não sabia o que esperava a minha frente. Eu não fazia ideia do tanto de coisa que mudaria no momento em que eu chegasse ao Ensino Médio. O meu "eu" do passado não sabia que amizades chegariam ao fim, que namorar não era tão ruim assim, que estudar a matéria que não gosta não mata ninguém (só um pouco), que é possível sim ser amiga dos professores e que a tão sonhada independência não estava tão fora de alcance como parecia. 

É tão estranho dizer que sou uma ex aluna, pois o verdadeiro significado disso ainda não foi completamente assimilado. Não preciso mais estudar física, é verdade. Mas agora virão trabalhos de faculdade, projetos, provas e muito em breve... estágios, emprego, dinheiro, carreira, futuro. As coisas vão ficar mais sérias e todo mundo ao nosso redor vai esperar um pouquinho mais de nós. Responsabilidade, maturidade, independência, pontualidade, organização e milhares de outras palavras enormes que até há muito pouco tempo não significavam tanta coisa. 

Alguns de nós ainda voltarão ao ano de vestibular no ano que vem, talvez por não terem conseguido atingir seus sonhos esse ano. Mas todos nós nunca mais teremos de ir ao colégio mais uma vez. Mesmo aqueles que não passaram seguirão com sua vida (seja estudando em casa ou em algum cursinho preparatório ou, mesmo, viajando ou em algum curso técnico). Cabe a nós decidir o que fazer com 2015 agora, não tem mais papais e mamães nos apontando o caminho certo ou nos dizendo a hora de sentar na cadeira e estudar para aquele último teste. Não tem mais professor nos cobrando aquela fórmula chata. Não tem mais livros didáticos e paradidáticos para ler, reler, decorar, memorizar e matutar. É cada um por si, levando consigo as experiências de sete anos de ensino. 

É tão difícil notar a mudança de ontem para hoje, mas quando pensamos mais a fundo... essa semana para duas semanas passadas, esse mês para três meses passados, esse ano para cinco anos passados muita coisa parece diferente. Gostos, estilo, música, prioridades, qualidades, defeitos. É como se tivéssemos nos tornado essa pessoa totalmente oposta. 

Pela primeira vez sento e paro para reavaliar o que esse fim de semana significou para mim. Nunca mais vou entrar na sala de aula do Colégio Militar para ouvir minha professora de Filosofia falar sobre Platão. Nunca mais vou ter que me espremer entre os milhares de alunos nas cantinas abarrotadas lutando por um mísero salgado. Nunca mais vou ter que usar aquele uniforme que esquenta no verão e me deixa com frio no inverno. Nunca mais vou passar outro recreio com o meu namorado. Ou com meus amigos do colégio. Nunca mais vou ter que estudar química ou biologia. O que eu vou fazer, então?

Como vai ser minha rotina a partir de agora? Será que ano que vem vou continuar acordando às cinco e meia da manhã? Será que o ônibus ainda vai ser meu companheiro ou terei que usar o metrô a partir de agora? Será que as matérias serão difíceis? E os professores? E os alunos?

Será que estou pronta?

Será? Será?

Em 2011 tudo parecia tão longe, distante... e olha eu aqui. Formada. Acabou. 

É... o tempo passa mesmo rápido. 

Mesmo que a gente não acredite, mesmo que a gente questione, mesmo que a gente lute e brigue e grite e se estresse. Muita coisa mudou nesses últimos três anos. Como eu disse no início: perdi pessoas que achei que eram tudo pra mim e conheci pessoas que não eram nada, mas hoje são tudo. Mudei de ideia sobre minha carreira (várias vezes) e consegui tomar uma decisão. Comecei a namorar (embora tenha lutado tanto contra isso).

Cortei o cabelo.

Pintei o cabelo.

Passei no vestibular que eu queria.

Foi um ano intenso, exaustivo; drenou todas as minhas energias de um jeito desgastante e, no entanto, me revigorou para o ano que vem. É cansaço e suor desde o primeiro dia até o último, mas eu garanto: no final, vale a pena.

Crescer. Parece complicado não é? Mas chega para todo mundo. Chegou para mim, afinal.

Pegue a Pipoca: The Newsroom

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Eu não estou preparada para isso. Mas vamos lá...

Há mais ou menos dois anos o canal HBO lançou uma nova série aqui no Brasil, eu havia acabado de terminar a nova temporada de game of thrones e clamava por algo novo para me distrair e eis que surge The Newsroom. 

Uma série dramática, política e extremamente bem desenvolvida. The Newsroom conta a história de uma equipe de rede de notícias liderada com mão de ferro pelo fabuloso Will McAvoy (Jeff Daniels) e pela produtora Mackenzie (Emily Mortimer). Com um elenco forte e personagens bem interpretados (e bem feitos, também) a história nos conduz através de manchetes polêmicas, porém de impressões impactantes. Há de tudo para se discutir: política, economia, violência, protocolos... um prato cheio para quem gosta de drama aliado a um bom roteiro cultuado. Uma boa pedida para quem gostou de Political Animals e viu seu fim chegar muito cedo (uma mini série política de seis episódios que foi cancelada logo ao final da primeira temporada - também exibida pela HBO). 

É com uma dor amarga no peito que venho anunciar que The Newsroom chega a sua terceira e última temporada... e eu não estou pronta. Por isso vim aqui tentar convencer meio mundo a se apaixonar por essa série e sofrer com o seu fim (tanto quanto eu estou sofrendo).

Os personagens são cativantes, o roteiro é bem conduzido e o clímax é de arrepiar. Você não consegue não se exaltar quando assiste na televisão (ou no computador). Embora a história central - a que vai se construindo ao longo dos episódios - seja em sua maior parte fictícia, os episódios resgatam algumas notícias importantes dos Estados Unidos que aconteceram nos últimos anos (a série se passa em meados de 2010 - na primeira temporada - e a linha do tempo sucede a partir daí) como a morte do Osama Bin Laden, por exemplo. 

Outra coisa que adoro nessa série é o amadurecimento nítido dos personagens. Dificilmente você irá reconhecê-los quando chegar à terceira temporada - a atual. Além do que a Sloan Sabbith (Olivia Munn) dá ótimas aulas de economia em seu quadro no jornal de Will - o que é ótimo para quem não sabe nada. 

A fotografia, o cenário, a abertura, nada deixa a desejar em The Newsroom. O relacionamento entre os integrantes do telejornal, seus erros, tudo faz parecer o show muito mais real do que fictício, em certos momentos você acredita no que eles te passam, no que eles te dizem. 

Para quem gosta de Skins: podem comemorar, pois o Dev Patel (que interpretou Anwar) está no elenco e eu posso garantir que a sua atuação é de cair o queixo. Dou destaque também para Thomas Sadoski (interpreta o Don Keefer), quem não rir de suas falas por favor que se jogue da ponte Rio-Niterói. De início pode ser que você não goste dele, mas eu garanto o Don cresce em seu coração.

E é com essa singela homenagem que dou o meu adeus à The Newsroom. Que a terceira temporada seja repleta de intrigas, problemas, desfechos e, é claro, notícias. Desejo uma boa pipoca à todos <3
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