quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

#Blogagem Coletiva - Preço da beleza, até onde ir em busca da perfeição



Pois é galera, hoje cá estou eu aqui de novo como havia prometido. O post de hoje será sobre O Preço da Beleza, foi o tema escolhido para a #Blogagem Coletiva. Então eu convido a vocês a visitarem o blog de todas essas meninas aí do lado, na sidebar,  para dar uma olhada no que cada uma tem a dizer sobre isso. 

Vamos ao post né?

Não é segredo para ninguém que a mídia juntamente com a sociedade impõe valores a nós, seres humanos, que talvez sejam inatingíveis. Por anos a fio sofremos uma lavagem cerebral - no caso, chamada de convenções sociais - de que certas coisas são mais bonitas que outras.

Eu sou a favor de que cada pessoa é única e tem a sua própria beleza. Somos um animal muito bonito. Pare por um momento e se olhe no espelho: observe seus cabelos, seus olhos e o seu corpo. Você vai notar que somos, sim, muito esbeltos. E o melhor de tudo: somos diferentes. Tenta diferenciar um tigre do outro, agora veja as diferenças que você tem em relação a outra pessoa. Não existe ninguém no mundo igual a você - mesmo em gêmeos é possível notar um detalhe ou outro que os separa. 

Porém fica muito difícil ver tudo isso sobre nós mesmos quando somos constantemente bombardeados nas ruas, na televisão, no cinema, nas revistas e basicamente em qualquer lugar que devemos ser magras, olhos claros, cabelo liso. O estereótipo europeu predomina na concepção de beleza da sociedade e as consequências disso são muitas:

Etnias com traços diferentes dos traços europeus se sentem minimizadas. O cabelo afro, o olho japonês, o nariz árabe se tornam motivos de piadas. E isso se traduz em baixa auto estima, insegurança, desespero, falta de amor próprio, tristeza e milhões de outros sentimentos ruins. O que pode levar até a casos mais sérios. 

Aumentam os casos de transtornos alimentares, bem como problemas em músculos e ossos (por se exercitar demais). A menina que quer atingir um ideal tão alto de beleza pode se sentir impelida a simplesmente deixar de comer. Começam então as doenças anorexia e bulimia. São transtornos alimentares que surgem (na maior parte das vezes) de pensamentos tóxicos. Na bulimia a menina se sente realmente culpada por comer e por isso se sente na obrigação de colocar pra fora em uma tentativa insana de reparar o erro. O uso de laxantes é muito comum que com o tempo vai destruindo seu corpo. Além disso, há aquelas meninas que não deixam de comer, mas em contrapartida decidem abusar nos exercícios físicos - passando horas na academia, mesmo quando seus músculos já estão estafados. E isso pode trazer problemas sérios de distenções musculares que podem ser irreparáveis, dependendo do caso.

Somos levados a acreditar que espinhas são deformações biológicas e não algo natural. Com a chegada dos programas de edição tornou-se quase que um crime tirar uma foto e deixar a espinha aparecendo. O Photoshop, por exemplo, faz muito mais do que isso. Pode, inclusive, alterar o corpo. Tudo em prol de parecer "mais bonita" para os outros. Mas não se enganem, programas assim são uma mentira. E não só pro resto do mundo, são uma mentira para si mesma também. Quando a menina vê a foto editada e fica na cabeça que aquilo é como ela deveria ser. E mesmo não admitindo, aquilo a incomoda. 

Aqueles que envelhecem naturalmente - e não buscam o auxílio de cirurgias plásticas - são considerados horrendos. Envelhecer se tornou uma palavra proibida. Rugas então? Sai de perto, nem comenta.  O medo de crescer e amadurecer (biologicamente) tomou proporções enormes. Ninguém quer envelhecer. As pessoas hoje em dia tratam a cirurgia plástica com tanta leviandade que se esquecem que aquilo ali é uma cirurgia e é tão perigosa quanto qualquer outra cirurgia. Existem chances de você morrer na mesa, sim. A cirurgia plástica ficou muito desvalorizada - o objetivo que era de ajudar as pessoas a acertar um distúrbio ou algum problema (problemas respiratórios devido à formação do nariz, por exemplo) se reduziu a tentativas desesperadas de atingir um estereótipo perfeito e inalcançável. 

Ser belo hoje em dia se tornou uma armadilha. Se a beleza for levada muita em consideração - e por beleza, coloco aqui tudo o que as ideologiais sociais em voga pregam atualmente - ela pode ser tóxica para a mente. Saber valorizar suas qualidades, ok. Deixar de comer por uma semana na expectativa de perder quilos, epa, tem alguma coisa errada aí. Não é que se preocupar com a beleza seja algo ruim, não há problemas em ser vaidosa e querer estar sempre bem arrumada e bem vestida. O problema é quando vai além disso. Quando prejudica sua saúde e seu estado mental. Quando se torna exaustivo - e não prazeroso - cuidar do corpo. Eu deixo uma pergunta para vocês fazerem a si mesmo: até onde você iria pela beleza? Pondere sobre sua resposta e pense se o que estiver em jogo valerá a pena. 



A Blogagem Coletiva acontece todos os meses na comunidade Blogueiras Brasileiras do G+ e no Facebook caso queira participar basta se inscrever lá e seguir os procedimentos. Falamos de temas variados e é uma oportunidade de podermos analisar os temas sob vários pontos de vista, além de conhecermos mais blogs.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Dicas de como começar um Blog



Hoje em dia o Blog dominou o mundo virtual. É muito comum ver meninas e meninos com vontade de querer criar, mas ao mesmo tempo inseguros, pois não tem a mínima ideia de como fazer. Muito mais do que um mero espaço pessoal, o Blog hoje em dia virou um meio de ganhar dinheiro e isso trouxe muita notoriedade à rede social. 

Visando o profissionalismo ou não existem algumas coisas que é preciso saber para se criar um blog e ter as views esperadas. No post de hoje vou dar dicas de como começar um Blog. Ao meu ver essas são coisas necessárias a qualquer um que queira começar qualquer coisa, porém fica ao seu critério se irá querer seguir ou não.

1. Escreva Bem

Não adianta! Para querer ter um blog não basta apenas ter um bom conteúdo, é preciso saber traduzir esse conteúdo em palavras e de preferência que as palavras estejam sendo usadas da forma correta. Não é que você não possa errar nem mesmo uma vírgula nunca, mas que seu texto esteja organizado e com poucos erros de português. Pense em cada post como sendo uma redação - ao final você prefere vê-la com várias marcas vermelhas ou poucas? É a mesma coisa. Empenhe-se no que está escrevendo e verá retorno. Não precisa querer imitar autores famosos e nem mesmo usar uma linguagem muito rebuscada, apenas tente ser você mesma. Escreva como você fala, é só não exagerar nas gírias. Se o seu forte não é a gramática, então o bom é começar a treinar desde já. Não só para o Blog, mas também para a vida. Já pensou se você manda um aviso para o seu futuro chefe cheio de "s" no lugar errado? 



2. Invista no Blog (e em si mesma)

Essa dica é aberta a interpretações. Em vários posts que vejo por aí investir está quase sempre atrelado a desembolsar grana. Nessa dica eu vou mostrar que não é bem assim. Quando você pensa em um bom blog uma das primeiras coisas que provavelmente devem passar pela sua cabeça é um layout bacana certo? Há três jeitos de conseguir layouts: o primeiro é comprando - em outras palavras, contratando um bom designer para criar um para você. O segundo é procurando layouts de graça pela internet - e isso é muito comum, especialmente para quem está apenas começando nesse meio. E o terceiro é criando você mesma. Quando eu disse investir em si mesma ali em cima, quis dizer justamente isso - aprender a usar o HTML e um pouco de programação vai te ajudar na hora de editar layouts prontos ou criar os seus próprios layouts. Eu sei o básico do HTML e não é difícil, pretendo tentar aprender a criar layouts em breve. Na internet é cheio de tutoriais para quem está interessado em começar - e isso é bom porque você aprende coisas novas. Além do HTML, é bom aprender um pouco de Fotografia. Ter fotos próprias chama a atenção e dá uma nova roupagem para o seu blog. E não é necessário ter uma câmera hiper mega boa no início não, pode ser aquelas pequenas digitais mesmo. Muitos dos meus looks do dia foram fotografados com a câmera do celular. Foi apenas recentemente que comecei a usar mais a minha câmera. Se tirar fotos não for possível, sem problemas, gaste algum do seu tempo procurando fotos que tenham a ver com o assunto. Salve várias e no final as organize do melhor jeito - tenha em mente também que não é preciso usar todas as fotos que salvar. Você também irá notar que muito de ter um blog é colocar um pouco de originalidade em tudo, por exemplo, o banner do meu layout eu que fiz no Photoshop. Aprender a mexer com programas de edição vai te ajudar bastante na hora da divulgação do seu trabalho e também na hora de deixar uma marca mais pessoal no seu blog. Há tutoriais por toda a internet sobre como baixar de graça, além de como aprender a usar e etc. Outros jeitos de investir no Blog é comprando um domínio, entrando para o AdSense do Google e procurando parceiras - mas é claro que essas coisas, sim, vão exigir dinheiro. Mas também não são coisas para se preocupar num primeiro momento, com o passar do tempo isso tudo começa a vir "naturalmente".



3. Organize-se

Eu mesma levei tempo para levar essa dica a sério. No início é tudo muito brincadeira, mas depois que você vai se envolvendo com a escrita e vai criando aquele laço emocional com o Blog você começa a querer criar tempo para ele e não apenas visitá-lo quando "lhe der vontade". Para isso é bom ter um caderno de anotações. Eu separei meu caderno em três partes: a primeira onde anoto as ideias para meus futuros posts, a segunda onde anoto as observações de determinados posts (por exemplo, se tiver produtos - anoto preços, nome da empresa, onde comprar, etc) e a terceira parte para lembretes e datas importantes. Além disso no final deixo anotado um cronograma - sempre deixo na última página - que claro, pode mudar de tempos em tempos. Leve o caderno sempre com você para anotar sempre que tiver uma ideia, ou para o caso de surgir algum compromisso. Tente reservar um dia da semana, pelo menos, para que você escreva os seus posts - ainda que não vá postá-los exatamente naquele dia. Durante os outros dias em que não estiver escrevendo, você pode pesquisar sobre o assunto, fotografar e buscar inspirações. Tenha em mãos duas coisas na hora de organizar seu caderno - marcador de páginas e pelo menos duas canetas (de cores diferentes). Eles vão ser seus aliados na hora de marcar ou grifar algo importante. Pode parecer besteira, mas canetas coloridas chamam a atenção e por isso não fazem você se esquecer tão facilmente.



4. Escreva sobre aquilo que você sabe

Não adianta você querer falar de livros, se não gosta de ler. Não adianta querer falar de maquiagem, se não sabe nem passar um batom. Atenha-se aquilo que você gosta e realmente sabe fazer. Gosta de Moda? Ótimo, fale sobre isso. Gosta de Cinema? Esteja sempre atento às estreias e dê dicas de filmes. Gosta de dar conselhos? Crie posts sobre o que conversa com suas amigas e o que diz para elas. Fica muito mais fácil de escrever quando se está segura daquilo que você está redigindo. É importante dizer também que falar sobre o que gosta não significa nunca comentar sobre o que não sabe ou o que está aprendendo - só não tente fazer seu blog girar em torno disso. Uma menina que escreve sobre moda não necessariamente vai querer falar disso pelo resto da vida. Haverão momentos que ela, vai sim, mudar de assunto. Mesmo que o foco dela seja, bem, moda. Compartilhe experiências também, as pessoas vão querer saber o que você tem a dizer. 

Uma dica opcional: Quando fizer seus posts tente sempre se lembrar de duas coisas. A primeira é do seu público-alvo. Tenta sempre escrever visando quem está lendo. Quando eu escrevo penso em mim mesma - no que eu gostaria de ler no post que estou redigindo, se aquilo seria útil pra mim... Caso ainda não saiba muito bem o seu público, mande seu texto para algumas amigas e amigos e pergunte o que eles acham. Faça o mesmo com seus pais e avós e observe as diferentes reações às suas palavras. E a segunda é da cultura em que você está inserida. Por exemplo, eu moro no Brasil - mais especificamente, no Rio de Janeiro - isso não significa que sou obrigada a falar de Carnaval, mas eu posso criar um post com os melhores pontos turísticos da minha cidade. As pessoas que leem seu blog estarão procurando por coisas familiares e quando se fala "de casa" desperta o interesse e a curiosidade dos leitores. Mas é claro que isso não significa que você não pode escrever sobre outros países, ou mesmo outras cidades. 

5. Divulgue Muito (Do Jeito Certo)

Essa vai ser a dica mais importante do post - se o seu foco for querer ser muito visualizado. A Divulgação é o passo mais fácil e mais difícil ao mesmo tempo. Se feita do jeito certo, pode ser muito gratificante. Porém, uma coisa que tenho notado é que muita gente não sabe divulgar. Nesse momento as redes sociais serão as suas grandes aliadas. O primeiro passo é colocar o seu blog em outros meios (página no facebook, conta no instagram, no pinterest e no google+). E o segundo passo é participar de grupos que tenham os mesmos interesses que você (grupos no facebook sobre blogs, divulgação, moda, cinema, literatura - o mesmo vale para as comunidades no google+). O segundo passo é manter todas as contas sempre atualizadas. E o terceiro e último é a famosa divulgação. Como se faz a divulgação? Não basta você ir no tal grupo e simplesmente jogar o link lá. Conte um pouco sobre você (se for o primeiro post no grupo) e sobre a matéria que você fez. Desperte o interesse das pessoas usando poucas palavras, não é preciso fazer um texto enorme de 30 linhas. Estamos na era da internet - menos é mais. Não adianta também divulgar em APENAS um grupo, vá em quantos achar necessário. Além disso se torne conhecido. Participe das conversas e debates que surgirem, comente no post das outras pessoas - claro, naqueles em que você se interessar, não vá mendigar likes/seguidores/comentários. Ninguém gosta disso. E para finalizar crie um e-mail para o seu blog, assim você aproxima o contato entre leitor-blogueiro. 

Enfim gente, é isso. Espero ter ajudado a tirar algumas dúvidas e ter dado a coragem necessária para se aventurar nesse mundo novo. Me vejo na necessidade de comentar que desde que comecei a minha escrita melhorou muito e eu aprendi muitas coisas novas - apenas pesquisando. 

Agora vou tomar um tempinho para dar uma notícia super rápida: Como vocês já devem ter notado na sidebar ao lado, estou participando de um projeto chamado Blogagem Coletiva. Amanhã eu e todas essas blogueiras aí do lado estaremos falando sobre um único tema - que eu irei revelar amanhã, no dia 25 de fevereiro. Então não percam, amanhã post novo e especial no Blog. 

E só para recapitular tudo o que eu disse hoje:



Até amanhã <3


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sobre o "fenômeno" 50 tons de cinza.


Para ser sincera eu não me imaginava vindo no blog escrever sobre esse livro, mas ultimamente tem tido tanta mídia em cima graças ao lançamento do filme que eu não tinha como não vir comentar sobre. Nos últimos três dias participei de pelo menos 4 debates sobre o assunto. Juro. 

Não, eu não sou fã da série. E sim eu li os TRÊS livros - é importante dizer isso hoje em dia frente a argumentos que encontrei do tipo "não leu, não pode falar". Não tenho o menor problema com quem gosta desde que as pessoas que apreciam a história saibam o que eu vou falar nesse post.

Enfrentamos um problema sério em nossa sociedade: somos machistas. Fim. Nós somos. É importante reconhecer para que possamos combater isso. E graças a esse triste fato as mulheres, principalmente, vivem sob uma pressão enorme. A pressão de estar sempre bonita, o medo de andar pelas ruas à noite, a ideia de que se você não estiver em um relacionamento então você não é bem sucedida, a noção de acharem não sermos tão bem capacitada quanto os homens para certas profissões (engenharia, por exemplo), se você não souber cozinhar então não é uma mulher de verdade, meninas devem brincar de bonecas e casinha enquanto os meninos devem brincar de carrinho e bola... São atitudes assim, pequenas, que caracterizam o machismo dentro da nossa sociedade.

E 50 tons de cinza é machista em níveis muito maiores e muito mais explícitos.

Para quem não sabe - não acho que hoje em dia exista mesmo alguém que não conheça a história desse livro, mas... - 50 tons conta a história de Anastasia, uma menina com baixa auto estima, virgem e ingênua que conhece o maravilhoso Christian Grey - um homem forte, bonito, inteligente e para não mencionar, rico. Mas que gosta de sadomasoquismo. E então a menina, apaixonada pelo Sr. Grey, de repente se vê imersa em um mundo completamente novo de chicotes e tapas.

A ideia do livro é bacana. Quebrar um tabu da nossa sociedade é sempre bacana. E por sermos muito conservadores falar de sexualidade nem sempre é bem visto aqui no Brasil - tirando, é claro, na época do Carnaval. No Carnaval pode tudo. O problema é que o livro não é nada disso.

Ao invés de quebrar tabus ele os reforça e não apenas o de que "sadomasoquismo é errado", mas vários outros que irei comentar.

1. O livro é mal escrito e mal elaborado.

Antes de começar a debater, de fato, os pontos que citei acima me senti na obrigação de começar com essa questão. Por ser escritora e gostar muito de escrever reconheço quando uma escrita é bem feita e quando a autora fez questão de se empenhar naquilo que ela está escrevendo. O livro é extremamente mal feito. Fica muito óbvio para quem lê que os diálogos corridos e com pontuações exageradas tendem ao infantil. Assim como Meyer em Crepúsculo, as descrições são óbvias e às vezes pouco precisas. Os personagens mal elaborados. E seu relacionamento então... demasiadamente fantasioso. Além da história ser obviamente repleta de clichês já batidos.

2. O livro demonstra que para viver bem é preciso ter um relacionamento amoroso.

Anastasia é a personagem feminina que vemos em romances típicos: é a menina insegura de sua beleza, de sua inteligência e de seus atributos, que não tem capacidade de fazer nada por si mesma, que é ingênua e tem baixa auto estima. É interessante você notar como a medida que o relacionamento deles vai "evoluindo" ela vai se sentindo uma mulher "nova" e poderosa. Como se todos os problemas que ela tinha tivessem se resolvido por mágica. A protagonista passa a trilogia inteira agradecida por ter encontrado um homem como aquele e sem saber porquê ele iria se interessar nela. Tudo se torna um discurso muito maçante e cansativo. Estar em um relacionamento é bom? Ótimo. Mas não vai resolver seus problemas, de fato, é capaz de lhe trazer novos problemas. Melhores ou Piores? Não sei. Mas com certeza eles não vão acabar por aí.

3. O livro perpetua o machismo.

O que é o machismo para você? Claro, existem todos aqueles motivos que citei lá no início do texto. Mas o que você pensa quando ouve a palavra machismo? Para mim é uma cena em que a mulher é a escrava do homem. Está ali para serví-lo sexualmente ou não. Lavando suas roupas, fazendo sua comida, fazendo tudo o que ele pede sem questionar. Não existe visão mais descritiva que essa quando se pensa nisso. Pois bem. Logo no primeiro livro nos deparamos com o contrato que Anastasia se vê obrigada a assinar, dentre as cláusulas se encontram detalhes sobre o que ela pode ou não comer, quantas horas por dia ela deve se exercitar, quantas horas por noite ela deve dormir e até mesmo a obrigação de tomar um anticoncepcional, seja qual for. Dentre outras coisas. A menina não é livre nem mesmo para escolher se quer ou não engravidar, quer limitação maior que essa? Ela deve estar devidamente depilada - do jeito que ele gosta. Ou seja, tudo o que ela faz ou deixa de fazer tem de ser feito visando agradar à ele. Mesmo que ela não goste. Pergunto agora para as meninas que leram: Qual de vocês aceitaria isso tudo que descrevi vindo de um garoto que não fosse o Christian Grey? Aposto que muitas disseram não. Então por quê aceitar isso tudo vindo dele? Pode não estar lá escrito no livro que ele é machista, mas a leitura implícita, que se encontra nas entrelinhas é essa: A mulher é submissa ao homem. Ela deve agradá-lo em primeiro lugar antes de agradar a si mesma. 

4. O livro nos traz expectativas irreais frente ao sexo.

A primeira vez de Anastasia é a primeira vez cheia de floreios. Feita para arrancar suspiros das mulheres que leem a trilogia. Ela tem vários orgasmos logo de cara e acha que é tudo lindo e maravilhoso. No dia seguinte ela aceita entrar em uma relação que exige muito do seu físico e do seu psicológico - o bdsm. É verdade que nem toda menina sente dor na primeira vez, mas eu diria que 8 entre 10 sentem muita dor. E a dor não vem apenas na primeira vez, vem na segunda, vem na terceira e pode até mesmo vir na quarta. Tudo porque seu corpo não está acostumado com aquilo e leva tempo mesmo. Só depois que você vai começar a sentir o prazer. E mesmo sentindo prazer não é sempre que você vai chegar lá... De fato, poucas vezes na sua vida isso irá acontecer. O corpo feminino é muito complicado e sensível e é muito mais difícil para nós, mulheres, atingirmos ao orgasmo que para os homens. 

5. O livro não faz jus ao que é ser BDSM.

Apesar da proposta ser de quebrar o tabu que envolve esse tema, 50 tons faz justamente o oposto. Retrata uma relação doentia e abusiva em que o Sr. Grey utiliza o sadomasoquismo para maltratar e punir mulheres que ele não acha digna. O BDSM é uma relação sexual e portanto se restringe a atos sexuais - feitos dentro ou fora da cama, desde que sejam sexuais. Como citei em um ponto acima a relação dos dois vai muito além da cama, ele estipula limites que para ele está de acordo já que ele é o dominador. Só que não, não está correto. Controlar a vida do parceiro, com quem ele sai e com o que trabalha (sim, chega um momento do livro que ele simplesmente decide comprar a empresa onde ela trabalha) não faz parte do sadomasoquismo. Além disso realmente existe uma parte do livro em que ela diz a palavra de segurança (a safe word) e ele ignora. Isso é algo GRAVE e é um ABUSO SEXUAL - mas irei falar melhor disso mais embaixo. O próprio Christian Grey admite que gosta de machucar as meninas com que se relaciona pois elas lembram de sua mãe com quem tinha problemas quando jovem. A autora dá ao personagem um trauma infantil como explicação do porque ele é o que é. Do porquê ele curte os chicotes e os tapas. Em outras palavras ela dá a ele uma doença psicológica. E isso não é quebrar um tabu, isso é reforçar a ideia de que quem pratica o BDSM, pratica porque passou por situações traumáticas e não porque simplesmente gosta e quer explorar sua sexualidade de um jeito diferente.

6. O livro retrata um relacionamento ABUSIVO.

Sim, a menina estava de acordo com tudo o que acontecia com ela, mas será mesmo? Você pode estar em um relacionamento abusivo e não saber disso. Como você também pode saber e aceitar. Mas nem por isso deixa de ser abusivo, nem por isso deixa de ser errado e nem por isso deixa de ser motivo para não ignorá-lo. Muitas meninas que passam por isso estão em estado de negação. Simplesmente não querem acreditar que o namorado que dá flores é o mesmo que bate nelas. Daí surgem as desculpas: "ele não fez de propósito", "foi sem querer", "ele prometeu que ia mudar", "ele não é assim, juro. Foi a última vez". E existem meninas que tem a auto estima tão baixa que elas acham que precisam daquele relacionamento para serem vistas como mulher pela sociedade, de modo que aceitam tudo o que seus namorados/maridos fazem com seu corpo e sua mente. É preciso lembrar que em um relacionamento abusivo a mulher está tão perdida, tão desamparada, que às vezes nem ela sabe que está em um. Peço que olhem para a foto que deixarei abaixo e ponderem sobre o que é um relacionamento abusivo e contem nos dedos o que o Christian Grey faz com a Anastasia ao longo dos três livros. 

"As pessoas tem que entender que relacionamento abusivo tem como base principal a dependência. Seja ela financeira ou psicológica. Você começa a se anular para fazer parte da vida do outro e então simplesmente não percebe que atitudes de violência verbal ou física são realmente tóxicas. É preciso emponderar mulheres e fazer elas enxergarem que estão nesse tipo de relacionamento, porque muitas não sabem justamente porque as pessoas romantizam a situação. Que é justamente o que o Livro faz." - Uma amiga minha sobre a situação Anastasia-Christian Grey

Chega um momento da história que a protagonista afastou tanto os amigos que a vida dela passa a girar em torno do seu parceiro.

7. O livro romantiza problemas sérios existentes na nossa sociedade.

Depois de tudo que leu até aqui, nesse momento você provavelmente deve estar se perguntando como nunca percebeu esses detalhes sobre a história. Eu explico o porquê. O livro foi criado e escrito de modo que nos iludisse a pensar que isso tudo é natural, normal e até bonitinho. Digno de suspiros. Isso não é algo restrito a esses livros, desde séculos passados histórias assim tendem a nos dizer que o amor supera tudo. Mas não é bem assim. A ideia de que nós, mulheres, somos capazes de mudar os homens apenas utilizando do amor é irreal. Os homens vão mudar sim, se eles quiserem. Não se iludam achando que um homem que bate em sua esposa todo dia de repente vai mudar e pedir desculpas. Não é assim que funciona. Não achem bonito a maneira doentia com que Christian age em sua relação com Anastasia. Contratar um segurança para seguir a namorada não é uma atitude normal. Não é uma atitude louvável. Comprar o prédio em que você trabalha para que tenha acesso a sua vida pessoal e profissional não é aceitável. É perseguição, é abuso. Se você que leu o livro e agora está pensando: é óbvio que não é real, é um livro. É ficção. Errou de novo. Autores escrevem o que eles veem na sociedade, seja consciente ou inconscientemente. E relacionamentos abusivos é uma realidade. Muitas mulheres enfrentam isso todo dia e sofrem com suas consequências. Dar um trauma ao personagem Christian Grey oferece uma desculpa. Um jeito de dizer que ele fez o que fez apenas porque foi maltratado na infância e por isso é perdoável. Só que trauma não é motivo para praticar abuso sexual. Independente do que sofreu ninguém tem direito a agir desse jeito. O livro reforça que relacionamentos assim não devem ser levados a sério. Ou pior: devem ser aceitos. A mulher que passa por isso às vezes nunca se recupera totalmente do ocorrido. O problema é quando meninas de 12, 13 anos leem e não têm a menor noção do que é fantasia e do que é realidade e por isso sonham acordadas com o dia em que irão encontrar um Sr. Grey na sua vida. Fiz esse texto para alertá-las sobre o que realmente diz 50 tons de cinza. 

E não adianta querer culpar os pais por elas lerem. Isso é pura ignorância, estamos em plena era digital onde há pdfs disponibilizados de graça por toda rede. E mesmo que os progenitores impeçam que a menina leia, uma amiguinha com certeza vai chegar e vai oferecer. É falta de noção querer que os pais hoje em dia controlem pré-adolescentes - que acham que sabe tudo e estão em sua fase de ser rebelde. Se estiver realmente procurando alguém para culpar, culpe a mídia. Afinal se não fosse tamanho marketing em cima dessa história muitas pessoas - e consequentemente adolescentes - nem saberiam da existência dela sendo reduzida mesmo ao seu público alvo. A coisa fica um pouco mais complicada quando vamos à uma livraria famosa e o vemos exposto em tudo que é canto. Isso desperta curiosidade mesmo em quem não tem interesse no assunto.

Para finalizar quero deixar bem claro que não tenho problemas com que lê ou gosta da série, desde que - repito - problematizem a história. Saibam o que estão lendo e principalmente, saibam diferenciar aquilo que está sendo romantizado para deixar a história "mais bonita" daquilo que realmente acontece e gera um problema grave.