segunda-feira, 24 de abril de 2017

O QUE GIRLBOSS REALMENTE NOS DIZ


ESSE TEXTO ESTÁ LIVRE DE SPOILERS DE QUALQUER TIPO SOBRE A SÉRIE GIRLBOSS DO NETFLIX E O LIVRO DE MESMO NOME. 

Eu ia fazer uma resenha sobre  Girlboss, a nova série do netflix, mas acabei me pegando mais envolvida nas polêmicas que a série vem causando. A internet parece dividida entre idolatrar a série pelo que ela é e criticar pelo que ela não é. Mas antes de falar sobre os pontos, vamos falar sobre do que se trata Girlboss.

Girlboss é a representação de praticamente 99% das pessoas dentro do mercado da moda. A Sophia não é nada mais, nada menos que uma menina arrogante, egocêntrica e que usa da fachada "rebeldia"para tratar mal e humilhar os outros a seu bel prazer. Sim, ela é bem escrota (assim como a maioria dos grandes nomes da moda atualmente também são - inclusive o amado por todos, Karl Lagerfeld). Mas ela também foi dona de uma sacada genial de negócios. Essa onda vintage que vivemos hoje, de retomar principalmente peças dos anos 70, 80 e 90... devemos a Sophia. Ela foi um grande marco dentro do empreendedorismo digital da moda independente de sua péssima personalidade. E o que a fez famosa não foi sua atitude, não foi seus privilégios (eles ajudaram, não vamos negar. O fato dela ser magra e se encaixar nos padrões sem dúvidas abriu portas pra ela), não foi sorte. Foi a sua ideia. Ela teve uma capacidade criativa de criar algo muito diferente e que naquela época simplesmente não existia. Ela pegou um conceito da moda e reinventou um significado pra ele. Remodelou peças e assimilou nelas seus estilo próprio, além do próprio estilo da época. E por isso ela fez sucesso. 



Quando a gente relembra quais eram as grandes lojas do Ebay naquela época, a gente entende exatamente o porquê da Sophia ter feito tanto sucesso. Todas as lojas ofereciam basicamente as mesmas coisas, do mesmo jeito e possuíam o mesmo conceito. Já a Sophia era tão diferente que todos os outros se sentiram incomodados com ela. E até hoje: quando isso acontece, a pessoa se destaca. E principalmente se você trabalha no meio artístico (seja ele da moda, do design, das artes, do cinema...) você vai entender o que eu estou falando: inovar é muito importante. Não foi a atitude de Sophia que levou ela até lá. Foi a sua ideia. 

Por ser uma ideia única, também era facilmente encontrada pelas pessoas. E quanto mais pessoas encontram e gostam, mais pessoas acessam. Foi basicamente isso que fez com que ela chegasse onde ela chegou. 

Ninguém quer ser a Sophia. A Sophia é uma pessoa que simplesmente não respeita ninguém, além dela mesma. Nem mesmo as pessoas que mais a apoiaram ao longo do caminho. Além disso ela é mimada e infantil em diversos pontos da série. As pessoas querem ser ricas como ela, querem ter a fama que ela ganhou e acima de tudo querem criar algo marcante como ela criou. E de fato: ela criou algo impressionante. Não vamos tirar o mérito dela (por mais que ela não mereça). 

E para entender a personagem de Girlboss, primeiro é importante entender a pessoa por trás dela. A séria não é algo inventado, é real. As situações demonstradas na série realmente aconteceram, as atitudes interpretadas nada mais são que lembranças da própria Sophia Amoruso, CEO da NastyGal. A personagem precisa ser nojenta. Porque ela é nojenta. Mas não confunda as coisas: ela não ficou famosa porque ela foi nojenta. Ela apenas era assim. 



É preciso que vocês entendam que: uma atitude ruim não abre portas. Uma boa ideia abre portas. Mais ainda: uma ideia que vá gerar muito dinheiro, abre muitas portas. E isso é reflexo da sociedade que a gente vive: bastou que Sophia abanasse algumas dezenas de notas de cem dólares que as pessoas basicamente faziam tudo que ela queria. Essa é a definição pura e simples do capitalismo, quanto mais dinheiro você tem, mais status e mais liberdade para fazer o que você quer. A medida que ela descobre o que ela tem que fazer e passa a ganhar dinheiro com isso, as coisas simplesmente começam a dar certo. 

Eu li uma vez, uma frase que nunca fez tanto sentido para o mundo que a gente vive: dinheiro gera dinheiro. Por isso pobres continuam pobres e ricos continuam cada vez mais ricos (e veja bem, não disse que o fato do pobre continuar pobre é por culpa dele, apenas disse que ele continua pobre por não ter dinheiro para investir em si e assim gerar mais dinheiro - o porquê do pobre nunca evoluir já é assunto pra outro post e não tem nada a ver com meritocracia, envolve muito mais que isso). O nosso sistema econômico permite isso, é por isso que diariamente nós vemos a presença de pessoas assim na mídia. Quer um exemplo? Que tal a Sasha como estilista da Coca Cola? 

Você sabia que a Sasha não é nem formada em Design de Moda? Aliás, ela não é nem estudante. Ela literalmente deu uma entrevista afirmando gostar de moda e isso foi o suficiente para que ela fosse convidada a estilizar a nova linha de roupas da marca, poucos meses depois após a entrevista. 

Por quê?

Por que ela tinha talento? Não! Porque ela tinha dinheiro. E status. E fama. E atualmente se você tem um, você tem os outros também (haja vista as Kardashians, Paris Hilton, etc). A partir do momento em que a Sophia passou a ganhar cerca de $500 por peça vendida no Ebay, ela também passou a ter acesso a toda uma nova gama de possibilidades dentro da sociedade. 



A Sophia de fato criou algo muito difícil: criar uma empresa do zero e fazê-la dar (muito) certo. Se espelhem nela pela sua criatividade e sua capacidade de criar algo novo em meio a tantas coisas já batidas e existentes. Mas não idolatrem a sua atitude. Ela, de fato, é muito egocêntrica, egoísta, não tem o mínimo de empatia com os outros, é extremamente arrogante e rude desnecessariamente e com pessoas que não tem nada a ver com os problemas dela. Encarem a série do Netflix como um reflexo do que é a nossa sociedade e como ela funciona. Analisem realmente o que faz a Sophia chegar onde ela chegou e como. 

E é importante saber também que: mesmo que ela não tivesse se formado em uma faculdade, ela também buscou estudar e se informar. E a série Girlboss nos mostra isso. Porque a verdade é que: uma vez que a gente aprende o que é que a gente gosta, buscar uma formação, um meio de estudo e mais conhecimento se torna algo natural - seja ele através da faculdade, de cursos, livros, ou da própria internet. Se era uma empresa que ela queria criar, então ela precisava saber exatamente isso e ela correu atrás da informação (por mais básica que ela fosse, afinal todo mundo começa com o básico). Não achem que só porque ela não foi pra faculdade significa que ela não estudou ou tentou aprender sobre empresas, administração, marketing, entre outras coisas. 

Problematizem a Sophia, suas atitudes e sua personalidade, mas jamais achem que foi isso que a levou até lá. Tudo começou com uma ideia. 

E você, qual a sua ideia hoje?

Espero que vocês tenham gostado do post de hoje que foi mais uma reflexão mesmo. Me contem nos comentários o que vocês acharam da série e o que aprenderam com elas. Compartilhem a postagem caso vocês tenham se identificado, porque isso me ajuda demais. E não se esqueçam de curtir o Quero Mais Pizza no Facebook e me seguir no @queromaisfotos, no Instagram.

Até o próximo post <3

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10 comentários:

  1. Fiaaaa você arrasou no post. Acho que nem eu conseguiria expressar tanto o que achei da série e do que tá rolando também. Palmas!

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    1. aaaaaaa cara que amorrrr, mt mt mt obg <3 fico mt feliz que você tenha gostado <3

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  2. Adoreeeei o post !


    www.sindromedoluxo.com.br

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  3. meninas adorei o post completinho, assistir muito rápido a série e gostei bastante.
    http://www.gordinhaestilosa.com.br/

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    1. obg <3 <3 <3 fico mt mt feliz que tenha gostado <3

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  4. Nossa, vem cá me dar um abraço pq esse post ficou sensacionallll. Eu adorei demais a série, mas achei a Sophia insuportável.

    Beijão,
    Desencana mina! |
    Artigo Home Office |
    Boho Art Store |

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    1. hahahahah sinta-se abraçada <3 obg <3

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  5. Oi Ana, tudo bem?
    Então, eu assisti os dois primeiros episódios apenas de Girl Boss, e achei a série muito legal. Só não assisti os outros ainda por falta de tempo, porque é muito viciante haha Achei a personagem até engraçada, mas prepotente. Fica legal para uma série, não para uma vida real. Acho que pessoas assim tendem a quebrar muito a cara na vida, assim como ela mesma "quebrou" ao ser demitida do seu emprego como vendedora. Ela é um bom exemplo daquilo que não podemos ser. Adorei o post, achei bem completinho, e não tiro o mérito do que Sophia conquistou, mas acho que ela não era tudo isso como administradora, porque quando a marca estava falindo, ela caiu fora, no lugar de ficar e enfrentar a crise daquilo que ela mesma fundou. E já vi exemplos de marcas que mesmo à falência, os administradores não abrem mão e fazem tudo para se reeguer.
    E de resto só acho deveriam ter cuidado ao afirmar que 99% das pessoas no mundo da moda são como elas. O mercado de moda é muito amplo e engloba desde a fabricação de tecidos, desenvolvimento de estampas, pesquisa de tendências, até as peças nos desfiles e lojas. Só no Brasil é o segundo setor que mais emprega, então nem todo cargo envolve glamour. Nem tudo é como aparece nos filmes e seriados. E sim rola um certo preconceito até com o curso de moda em si, pois todos afirmar ser algo seletivo, cheio de pessoas como a sophia, mas posso dizer que na realidade isso é bem o contrário. Eu encontrei no curso de moda pessoas extremamente talentosas, empáticas, que estudam e trabalham no meio, incluindo professores, que sempre fazem questão de frisar a ética no trabalho e consciência em todos os sentidos, tanto com o meio ambiente para com as pessoas. Existem pessoas como Sophia? Sim, existe e aos montes, mas isso não se restringe ao mundo da moda. Apenas parece acentuar mais isso em moda do que outros setores, porque a maioria ainda acha que moda é glamour, quando a realidade é bem diferente disso.
    p.s.: Não leve como uma crítica isso que acabei de dizer, ta bom? Eu adorei o post e adoro o seu blog. Só acho que devemos ter cuidado ao generalizar algo.

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    1. Kimberly eu entendo perfeitamente o que você quer dizer, mas eu me referi ao mercado de moda já consolidado e principalmente aos maiores nomes da moda, a parte alta e rica da pirâmide mesmo. Eu já fiz faculdade de Moda, ok que foi apenas por um período porque infelizmente não pude arcar com a mensalidade, mas realmente uma das coisas que os professores mais frisavam era a importância de se atentar a moda sustentável e a um mercado melhor, isso era falado muito. Mas esse mercado sustentável ao qual os estudantes de moda lutam e buscam ainda não é uma realidade, pois ele ainda está se consolidando. Sobre a Sophia: não tenho dúvidas de que ela falha e falhava muito como administradora, porém a maior marca que ela deixou pra mim foi principalmente a onda da customização de pe ças e toda essa volta da vige dos anos 70/80/90 que estamos vivendo hoje. Pra mim essa foi a maior contribuição dela com a moda contemporânea. E mesmo não podendo estudar moda eu conheço e convivo com várias meninas que vivem essa realidade diariamente, e não se preocupe: sei perfeitamente o quanto é difícil. Nunca quis generalizar, apenas estava falando de um aspecto muito específico da moda.

      Ps: não se preocupe não levei como crítica não, todo comentário é bem vindo.

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